Instituto Eranos

O CÍRCULO DE ERANOS

O Círculo de Eranos é um marco na história do pensamento humano no que tange a produção científica de textos fenomenológicos e antropológicos. Este seleto grupo de eméritos pesquisadores das áreas da ciência da religião, psicologia, história da religião, mitologia e fenomenologia, se reunia num dos mais aprazíveis cenários mundiais, o Lago Maggiore, em Ascona, Suiça.

Eranos é a palavra grega que designa um banquete sem anfitrião, ou seja, onde todos contribuem com sua porção. Este foi o nome dado ao círculo de pensadores que se reuniram a partir de 1933, visando tratar dos estudos promovidos por suas áreas da ciência acerca do tema espiritualidade, um verdadeiro banquete intelectual que reuniu diversas personalidades, dentre elas Carl Gustav Jung, representantes das chamadas Escolas de Psicologia Profunda, História Comparada e da Religião, Epistemologia, Folclore, entre outros.

O círculo também tinha como meta a aproximação epistemológica dos vários ramos do estudo do sagrado, fato que legitimava o símbolo escolhido por seus componentes, a saber, o deus pagão Hermes, o qual significa a conjunção de caminhos opostos. Tal conjunção de caminhos ambicionava a manifestação de um sentido para as irrupções arquétipas por meio de uma hermenêutica simbólica. Sendo esta a principal atuação do círculo.

Após 1933, as reuniões continuaram a acontecer uma vez por ano sempre no mês de Agosto, a cada ano um novo tema era proposto e cada participante tinha oportunidade de se manifestar e expor suas idéias, contribuindo, desta forma, para o “banquete de idéias”.

O Círculo de Eranos é seguramente o mais notável dos grupos que já surgiu nestes moldes, ressalto a relevância que cada um deles, em seus respectivos campos de pesquisa, trouxeram para o desenvolvimento da humanidade em geral.

Há uma infinidade de definições de culturas; tantas são elas que não se torna necessário trazer outras à superficie, de modo a se compreender que o ser humano como animal simbólico constrói e reconstrói seu Ethos de forma variada a seu pertencimento no mundo. Ethos, palavra grega que significa casa, morada, lugar do ser no mundo. Esta morada não está pronta. Ela está sempre em construção. É nesta construção e reconstrução do Ethos pelo simbólico que as formas de criação do mito, linguagem, ciência e arte tornam-se símbolos para a compreensão do ser humano.

Ao atribuir sentido aos objetos que tocam a sensibilidade do ser humano – que cultiva relações com o mundo, consigo mesmo e com o outro – surge a necessidade de construção de símbolos para a definição de cultura, definições estas que abarcam o campo do conhecimento humano, Convém saber, digamos de forma fundamental, que boa parte das definições que compõem o imaginário ocidental e oriental trata o simbólico nas culturas. Autores, no geral, nem sempre atentam para a contribuição deste movimento pouco estudado – o Círculo de Eranos – o qual exerceu uma importância decisiva no modo de percepção deste simbólico. No Brasil, particularmente nas Ciências Humanas e Sociais, nos estudos religiosos e na psicologia analítica de Jung, este conhecimento é quase inexistente.

Compreender o simbólico em Eranos, partindo de C.G.Jung, passando pela origem e extensão deste circulo e sua importância no que se refere aos estudos sobre o simbólico na construção do imaginário ressalta sua importância nas pesquisas, agregando de forma interdisciplinar, autores de diversas áreas do saber humano.

Assim, o Circulo de Eranos configura-se a partir de um grupo de importantes personagens internacionais surgido em 1933 e perdurando ate os dias de hoje e que busca compreender essas formas simbólicas.

 

ERANOS E JUNG

Muitos dos maiores cientistas especialistas europeus estabeleceram contato com a obra de C.G.Jung pela primeira vez no âmbito da convenção de Eranos.

O objetivo principal de Eranos sempre foi o de compensar a unilateralidade do racionalismo pela abordagem do simbólico. Para melhor compreensão deste simbólico em Eranos, na formação de seus adeptos, as palestras de C.G.Jung em sua origem ate os anos 60 são fundamentais não somente para os pertencentes ao circulo, mas também para o aprofundamento de suas obras na pertinência ao simbólico.

Deste modo Jung foi importante para Eranos, assim como Eranos o foi para Jung. Por meio do inconsciente coletivo e dos arquétipos apresentados em Eranos, foi possível pensar em uma elaboração psicológica de toda uma reflexão filosófica e cultural.

Os mais diversos assuntos abordados por Jung em sua obra, que consolidaram suas pesquisas e conceitos como, inconsciente pessoal, inconsciente coletivo, arquétipos, Si-mesmo e individuação, igualmente estavam presentes nas conferencias de Eranos. Foi fundamental para Jung dialogar com autores como Rudolf Otto, Mircea Eliade, e Heinrich Zimmer; e desenvolver pesquisas voltadas à temática da religião e sobre as tradições religiosas do Ocidente-Oriente.

Jung afirma que as experiências humanas giram em torno da numinosidade do arquétipo, em especial, do arquétipo do Si-mesmo. Deste modo, infere-se que as representações do Si-mesmo por meio de figuras geométricas, da mandala e de figuras religiosas, como Cristo, estão presentes nos mitos e nas religiões, sobremaneira na religião da tradição ocidental (Jung, 1988).

Nesse sentido, podemos considerar que o que Jung fez foi tecer sua linguagem, foi colocar em pratica sua própria teoria da necessidade de um dialogo frutífero entre o matriarcal-inconsciente (oriental) e o patriarcal-consciente (ocidental).

Assim, Jung sugere que para encontrar seu potencial simbólico-mítico, o Ocidente não tem que imitar a cultura do Oriente, mas sim apresentar uma atitude decisiva, uma confrontação mutuamente transformadora.
A linguagem que Jung fornece a Eranos está gestada em sua própria experiência profissional e de vida, na aventura de sua alma que, incapaz de encontrar refúgio na tipicidade de nossa cultura patriarcal, sentindo-se estrangeiro no terreno baldio do presente, transgrediu seus limites, mergulhou em suas próprias profundezas, tocando fundo e tendo a sorte de encontrar um caminho de volta.(Ortiz-Osés, p44, 1994).

Entender a importancia do simbólico em Eranos, na tentativa de compreender o Oriente e o Ocidente, abriu caminho para que Jung e tantos outros autores participantes deste Círculo defendam a necessidade de uma busca da essência humana no Campo da cultura.

O Circulo de Eranos continua a oferecer essa mediação entre o reino da consciência e do inconsciente, do espírito e da razão, do anímico e do racional, do eu e do Si-mesmo que levou Ortiz-Osés (2004) a entendê-lo como um círculo hermenêutico compreensivo baseado na interpretação, e que o simbólico deve ser uma prática de investigação interdisciplinar para compreender o homem em suas dimensões.

Ao apresentar Jung e sua relação com o Círculo de Eranos, compreende-se melhor a sua obra, já além de seu tempo; compreende-se melhor, também, a obra de autores que participaram deste Círculo, de forma interdisciplinar.

Jung desvelou em Eranos uma perspectiva que focasse no estudo da alma humana e que indicasse uma estrutura arquetípica como pano de fundo do fenômeno religioso, segundo o qual, a estrutura do fenômeno religioso passam a ser imprescindíveis para a compreensão do ser humano.

Assim, é que a Psicologia de Jung se torna essencial ao Círculo de Eranos, suas pesquisas e o entendimento que tinha do ser humano vieram a se tornar fundamentais para a compreensão de mundo, uma vez que, anteriormente, valorizavam-se os aspectos racionais vislumbrados pelo ser humano e pela cultura – principalmente pela ocidental – descaracterizando-se a importância do simbólico. A hermenêutica de Eranos vem, em decorrência, nos apresentar uma visão de mundo em geral; uma síntese, uma religiosidade: o arquétipo, o mito, o simbólico e a individuação como possibilidade de integração dos opostos, ou seja, unium oppositorum do Ocidente-Oriente, racional-irracional.

 

Eadem mutata ressurgo:
“Mudado e ainda o mesmo, eu ressurjo novamente.”

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